ANTÍTESE da vida
Um corpo, carne e ossos, corrente sanguínea por onde corre um fluido vermelho viscoso, aparelho respiratório, digestivo, olfativo, tátil, auditivo, sistema nervoso central e periférico, cérebro, vontades, ideais, medos, vícios, desejos... nascimento, desenvolvimento, envelhecimento e morte física...
As ondas eletromagnéticas de um aparelho de Raio-X podem distinguir um assassino de um mártir? uma celebridade de um anônimo? um nativo de um imigrante? um empregado de seu patrão? um judeu de um muçulmano? um milionário de um morador de rua? um neonazista de um homossexual? ...ou ainda um plebeu de um imperador???
"VIVER É UMA ETERNA ANTÍTESE".
Da mesma maneira que somos categoricamente iguais, em nossos funcionamentos basais, somos COMPLETAMENTE diferentes quanto à individualidade e formação.
Diferenciamo-nos quanto ao gênero, condições sócio econômicas, preferências, deposição de gordura e músculos, crenças, opiniões, cor dos olhos, pele, cabelos, disposições orgânicas para determinadas doenças e principalmente. nossa condição genética pela assinatura denosso DNA.
Diferenças são características que nos tornam Indivíduos Únicos, quanto aos nossos ideais e relacionamentos interpessoais.
Mas porque é tão dificil respeitá-las???
Existe algum manual comportamental de acordo com a época histórica vivida?? Será que "o outro" nos provoca ou quer polemizar para testar limites de tolerância?? Precisamos realmente nos isolar em bolhas xenofóbicas e egocêntricas resguardando-nos daquilo que julgamos difícil de aceitar? Porque supervalorizamos nossas opiniões, a maioria delas sem embasamento de estudo e nos melindramos quando somos contrariados ou questionados???
Certamente a resposta encontra-se igual e unicamente para cada um de nós no Autoconhecimento, mas entender as bases que construíram as sociedades modernas, sua História, elucida não só acontecimentos que abominamos ainda hoje, como escravidão, ódios arraigados de povos contrários, tentativas de supremacias globais, domínio do Poder pelo dinheiro entre inúmeras distorções de comportamentos que possuem como estopins as ainda atuais chagas da humanidade: Orgulho e Egoísmo.
Sempre que leio a respeito do preconceito, busco entender onde ele encontrou condições de se enraizar no seio das sociedades, qual foi a motivação em fazer diferenciar seres humanos que compõem a mesma espécie de classificação filogenética. E não só voltando no tempo poderíamos identificar o real motivo para que este sentimento se instalasse. Basta motivar o ser humano a disputar algo. Assim, o fato de subjugar seu oponente, pois é isso que faz o preconceito, é medida de Poder, assim como a conquista de algo.
É interessante para nós atualmente imaginar que algo que acontece após acendermos uma vela ou utilizarmos um isqueiro para acender um cigarro, fora motivo de muita guerra e mortes.
Ao contrário do que imaginamos, o fogo só acontecia na pré história quando um raio acertava a madeira dos troncos das árvores.
Este evento possibilitou o homem despistar o frio cortante das estações geladas, principalmente nas áreas do hemisfério norte, onde o fator clima era determinante para a vida, a assar a carne crua de suas caças, a afastar predadores como lobos e outros animais famintos.
O desenvolvimento das civilizações, assim como a evolução pessoal do ser humano, se deu mais rapidamente para algumas, enquanto outras mantinham-se ainda primitivas. Á medida que se depuravam, adquiriam costumes, crenças e hábitos próprios e com o tempo, começaram a lapidar suas tecnologias.
Disputas também ocorriam pela localização geográfica próximas a rios e mananciais pois este se tornou um diferencial vital para a proliferação das espécies.

Historicamente nossos antepassados necessitaram formar comunidades para auto-proteção, auxílio mútuo, delegação de tarefas, trabalhar em conjunto e tudo que produziam era dividido coletivamente. Assim como ainda hoje muitas comunidades indígenas sobrevivem.
O avanço dos anos desenhou aldeias que se intercambiavam com a troca do excedente de suas produções, formando o que mais tarde viria a ser o "Comércio"... Formaram-se Cidades, Estados, Impérios e com eles o endurecimento do sentimento comum sufocado pelo excesso de produção visando lucro e Poder.
Curioso pensar que o avanço de tecnologias como a agricultura, transportes, gerações de energias, ampliação das rotas comerciais entre continentes pudesse desvirtuar-se para o domínio de outro Ser Humano... Mais produtos, mais terras, mais pessoas dependentes deste sistema... mais soberania.
Como uma forma de explicar os fenômenos da natureza, surgiram os místicos, pessoas que faziam as observações a respeito da astronomia/astrologia e previam fenômenos pela simples observação astral. Detinham a condição da escrita e leitura dos poucos livros existentes.
Conseguiram assim uma Ordem a partir do conhecimento de poucos, mas da ignorância de muitos e com a promulgação de castigos divinos obtinham o controle da grande massa alegando pecados carnais e morais tudo aquilo que excedesse o senso comum. Mas como tudo que provém do Homem, há abusos, e estes abusos distorceram a boa intenção da fé.
Instituições religiosas autointitulavam-se "representantes de Deus" exercendo por séculos a função de Estado, causando inúmeras vezes atrocidades arrepiantes como a Inquisição, perseguições, além de outras formas de conter o avanço do Progresso, da Liberdade de pensar, crer e expressar-se sem a necessidade do crivo de seus julgamentos. Pela austeridade cerceavam os comportamentos de todos, moldando-os às formas de suas pregações, acusando de Heresia qualquer contrariedade... E isso, não é um julgamento pessoal... são fatos minunciosamente talhados nas linhas do Tempo.
A cultura do MEDO é algo imposto por sistemas arbitrários como o fez a Religião e as ditaduras.
O medo deturpa comportamentos pois obriga o ser humano ceder frente a ameaça. Aqueles que se inclinam mais facilmente ao Mal não sentem tanto o aguilhão deste, mas os que são fracos sucumbem imediatamente.
Medo de punições, da prisão, da tortura, da "mão de Deus", da morte fez com que por muitos
séculos a Sociedade inteira acreditasse que um Deus impiedoso
fosse capaz de enviar pragas como doenças para castigar comportamentos ... desconheciam os efeitos das condições extremamente precárias de higiene e promiscuidade em que viviam, a medicina empírica, a ausência de medicação alopática para alívio de uma dor ou febre.
Seria mesmo Deus o responsável pelas superstições baseadas em plena ignorância?? Como Deus poderia querer que um de seus filhos fosse queimado em praça pública, ou decapitado, ou esquartejado, ou torturado apenas porque um sistema corrupto dimensionou que seria crime ir contra a ideologia da religião ou de um Rei???
Saber História lhe arremessa em direção à Luz... é como se subíssemos no topo do Himalaia com
uma venda nos olhos e de repente, ao retirá-la, pudéssemos enxergar claramente cada rocha esculpida em sua formação, da mais ínfima à mais volumosa, e sentir o ar, embora rarefeito e gelado pelas condições naturais , mas estar tão maravilhado com toda a paisagem e com a grandiosidade de tudo o que está ao entorno, sentindo o sol aquecer a face ao mesmo tempo que possibilita a vida de uma erva daninha naquele lugar tão Único...Como não pensar em algo maior??? Na sua Criação??? Como não pensar em Deus???
Este Deus, certamente não compactuaria com NADA que pudesse ir contra sua própria lei. Genocídios, Fraticídios, Guerras Santas, Imposição e controle de massas...muito foi feito "em seu nome"... Seria este mesmo Deus o Grande Criador? Do Cosmos, em sua escala micro e macro... Seria este mesmo Deus capaz de punir tão duramente sua criação pela simples ignorância da condição humana? As grandes polêmicas teológicas até hoje são instauradas, classificando a intolerância como um crime não só de consciência, mas UNIVERSAL.
A dureza do coração dos Homens condenou à morte MUITOS que ousaram contradizer poderosos, legiões sucumbiram frente a disputas pela "Verdade" imposta pela intransigência, torturas arrepiantes mutilaram o físico e o Espírito de milhares de seres. Muitos destes ainda se mantém entre nós, requerendo o direito de se "vingarem" de seus carrascos. Desconhecem sua condição pós-morte pois estão intensamente agarrados a sua condição terrena e à sede de vingança. Séculos se atravessam sem que estes Espíritos infelizes se dêem conta da sua atual condição.
A ira e a intenção maligna causada pelo sentimento de vingança os fazem reconhecer seus algozes pelos olhos, e assim ficam numa espécie de "tocaia espiritual", acompanhando o seu "adversário" por inúmeras vivências encarnatórias.

São os Obsessores, Espíritos em condição vibratória inferior que interferem mentalmente por meio de vibrações de pensamento no campo vibratório de seres encarnados. Desejam de alguma forma o reparo do dano que sentiram ou viveram e fazem de tudo para prejudicar aquele a quem perseguem, consciente ou inconscientemente.
Mas então como proceder? como sabemos se sofremos ação destes obsessores?
A faixa mental a qual nos ligamos, diz muito sobre quem nos acompanha, encarnados e desencarnados. Se possuímos qualidades benéficas, praticamos a tolerância com nosso próximo, entendemos que todos temos limitações e dificuldades morais a se transpor, se praticamos a caridade, evitamos ou tentamos abolir em nós o egoísmo e o orgulho por coisas banais, pelo menos, não permitimos que estas energias malsãs se aproximem e interfiram em nosso caminho.
Mas se nos irritamos com qualquer coisa, reclamamos sempre, somos ingratos com aquilo que recebemos, julgando ser "o mínimo" que merecemos, ignoramos as pessoas ou as rotulamos quanto a sua condição social e financeira, achamos que somos sempre injustiçados pois nos comparamos o tempo todo com parâmetros inatingíveis, se os vícios são dominantes, abrimos grande brecha para a ligação mental destes irmãos menos favorecidos. Não podemos julgá-los como maldosos ou monstruosos, pois às vezes eles apenas querem justiça de algo que numa vivência anterior possamos tê-los prejudicados.
A igualdade da condição humana só poderá ser obtida com o aprendizado do Amor. O amor incondicional, desinteressado, que tolera diferenças e perdoa erros sabendo que somos todos passíveis deles. A chance da Reencarnação e do esquecimento de nosso passado são bençãos da misericórdia divina , e sequer conseguimos mensurar sua valia.
Assim, o PERDÃO é o único caminho para a dissolução desses males e o abrandamento dos estigmas que se construíram em múltiplas encarnações. Perdoar é igualar-se à condição do outro. É somente esta a porta que direciona rumo à EVOLUÇÃO.
Para saber um pouco mais:
* Livro: Dramas da Obsessão
Yvone A. Pereira
Pelo espírito Bezerra de Menezes
* Estado e Religião para Karl Marx, Émile Durkhein e Max Webber
https://www.youtube.com/watch?v=poEGpYlSm3o
* Filme: "A guerra do fogo"
Jean-Jacques Annaud
(1981)












Comentários
Postar um comentário